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ESG · Guia

# Relatório de sustentabilidade: o que organizar antes de publicar

Como preparar um relatório de sustentabilidade: indicadores, responsáveis, fonte de dados, evidências, materialidade e consistência entre períodos.

- Existe obrigação legal de publicar relatório de sustentabilidade?

- Qual referencial usar: GRI, normas do CFC ou nenhum formal?

- Quais indicadores entram no relatório?

- Que evidência sustenta cada número?

- Como manter consistência metodológica entre períodos?

- O que o CONAR espera de apelos de sustentabilidade?

- Como a 15&15 Ambiental atua

- Perguntas

- Fontes

Em resumo

Antes de publicar, a empresa precisa definir poucos indicadores relevantes, nomear um responsável e uma fonte documental para cada um, arquivar as evidências e manter o mesmo critério de cálculo entre períodos. Para a maioria das empresas a publicação não é obrigatória por lei, mas clientes e financiadores pedem dados. O relatório é a última etapa do trabalho, não a primeira.

## Existe obrigação legal de publicar relatório de sustentabilidade?

Para a maioria das empresas, não identificamos obrigação legal geral de publicar esse relatório. A demanda aparece, na prática, em questionários de clientes e de financiadores.

No mercado de capitais, a Resolução CVM 193/2023 tinha obrigatoriedade prevista a partir de 2026 para companhias abertas. A Resolução CVM 244, de 29/05/2026, revogou essa obrigatoriedade, e a divulgação passou a ser voluntária. Quem adota segue os CBPS/ISSB e mantém a divulgação por no mínimo três exercícios.

A CVM regula apenas companhias abertas. Se a sua empresa é fechada, não identificamos exigência dessa norma para ela, mas confirme com o seu contador e com as cláusulas dos contratos que você assinou.

## Qual referencial usar: GRI, normas do CFC ou nenhum formal?

O GRI é um caminho possível. Os GRI Universal Standards 2021 (GRI 1, 2 e 3) valem desde 01/01/2023. O GRI 3 adota a materialidade de impacto: os temas relevantes são aqueles em que a organização causa impactos. Não é dupla materialidade formal, embora a materialidade financeira seja reconhecida como consequência possível.

No campo contábil, o CFC aprovou em 17/10/2024 e publicou em 29/10/2024 a NBC TDS 01 (correspondente ao IFRS S1) e a NBC TDS 02 (IFRS S2). A NBC TDS 01 vigora desde 01/11/2024 e se aplica a exercícios iniciados em ou após 01/01/2026, com adoção antecipada permitida. Quem pode estar sujeito a elas deve confirmar o alcance com o contador e com o regulador do seu setor.

Se a empresa adotar apenas parte de um referencial, deve informar com clareza o que aplicou e o que deixou de fora.

## Quais indicadores entram no relatório?

A escolha parte da materialidade: entram os temas em que a atividade causa impacto relevante ou em que o leitor do relatório precisa de resposta. Energia, água, resíduos, emissões, pessoas e governança são candidatos, conforme a atividade. Um escritório e uma indústria não terão a mesma lista.

Para cada indicador escolhido, registre:

- definição e unidade de medida;

- fonte documental;

- responsável nomeado;

- periodicidade de coleta;

- local onde a evidência fica arquivada;

- critério de cálculo, quando houver conversão.

Emissões exigem método próprio. Veja o inventário de GEE e o guia do GHG Protocol .

## Que evidência sustenta cada número?

O método da 15&15 é simples: nenhum número entra em relatório sem documento de origem rastreável. O dado vem antes da cota e antes da meta.

- Energia: fatura da distribuidora.

- Resíduos destinados: MTR e CDF emitidos no SINIR.

- Compras e consumo de materiais: nota fiscal.

- Medições internas: registro de sistema ou planilha com responsável.

- Emissões: memória de cálculo, com fatores de emissão e versões citados.

Quem mantém sistema de gestão ambiental pode reaproveitar registros de controle operacional. A ISO 14001:2026 foi publicada em 15/04/2026; para entender o que a empresa já tem, veja o Raio-X ISO 14001 .

## Como manter consistência metodológica entre períodos?

Comparar um ano com o seguinte só faz sentido se o critério for o mesmo. Registre a base de cálculo, o perímetro da empresa (quais unidades entram), as unidades de medida e as versões de fatores de emissão usadas.

Quando houver mudança de método ou de perímetro, explique no relatório o que mudou e, se os dados permitirem, reapresente o período anterior no novo critério. Se não for possível, diga isso.

Erros já publicados devem ser corrigidos de forma visível, e não substituídos em silêncio.

## O que o CONAR espera de apelos de sustentabilidade?

O Anexo U do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária trata de apelos de sustentabilidade desde 2011 e foi atualizado em 2025, com vigência em novembro de 2025. Seus princípios são veracidade, exatidão, pertinência e relevância, com reforço ao lastro documental, à especificidade, às metas mensuráveis e à coerência.

Antes de publicar, confira:

- cada afirmação tem documento de origem arquivado;

- as metas têm indicador, ponto de partida e prazo, ou não são apresentadas como metas;

- desafios e limites constam ao lado dos avanços;

- não há expressões genéricas, como "empresa sustentável", sem lastro.

Uma auditoria ESG é uma forma de conferir esse lastro antes da divulgação.

## Como a 15&15 Ambiental atua

A 15&15 Ambiental organiza as informações ambientais que alimentam o relatório de sustentabilidade : define indicadores com a empresa, rastreia a fonte de cada dado e documenta a metodologia, no marco do serviço de ESG . O alcance do trabalho depende dos dados e dos documentos que a empresa consegue disponibilizar.

Dúvidas comuns

## Perguntas frequentes.

Pequena empresa precisa publicar relatório de sustentabilidade?

Não identificamos obrigação legal geral para pequenas empresas. A Resolução CVM 193/2023 alcançava companhias abertas e, após a Resolução CVM 244/2026, a divulgação é voluntária. O que costuma existir é pedido de clientes e financiadores. Confirme a regra do seu setor com o órgão competente.

O relatório de sustentabilidade substitui o inventário de GEE?

Não. O inventário de emissões é um estudo com método próprio, com escopos 1, 2 e 3, GHG Protocol e memória de cálculo. O relatório pode apresentar o resultado do inventário como um de seus indicadores, citando o método e a fonte dos dados.

Posso divulgar uma meta sem ter o dado de partida?

Não é recomendável. O Anexo U do CONAR reforça lastro documental, metas mensuráveis e coerência. Sem ponto de partida e fonte, a meta não pode ser verificada. Divulgue primeiro o dado medido e, depois, a meta com indicador e prazo.

Fontes

## Onde conferir o que este guia afirma.

Normas e documentos consultados. Confirme sempre a versão vigente antes de aplicar a regra ao seu caso.

- ISO 14001:2026 - página da norma (ISO) Edição 4 da ISO 14001, que substituiu e retirou a edição de 2015.

- ISO 14001:2026 published (ISO News) Confirma a publicação em 15/04/2026 e o período de transição.

Conteúdo informativo, atualizado em 05/10/2026, sem caráter de parecer jurídico. A aplicação depende da atividade, da localização e da regra vigente.

### Megg Pantoja

Arquiteta e urbanista, bióloga e fundadora da 15&15 Ambiental.

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