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Guia técnico · Contabilização de emissões

GHG Protocol: inventário e escopos 1, 2 e 3

O GHG Protocol é o padrão internacional de contabilização e relato de emissões de gases de efeito estufa desenvolvido pelo WRI e pelo WBCSD. No Brasil, é aplicado pelo Programa Brasileiro GHG Protocol.

Estrada atravessando floresta, vista de cimaFoto: Geranimo / Unsplash

Em resumo

O GHG Protocol é o padrão de contabilização e relato de emissões de gases de efeito estufa desenvolvido pelo World Resources Institute (WRI) e pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). A primeira edição do padrão corporativo foi publicada em 2001 e organiza as emissões em três escopos. No Brasil, a metodologia é aplicada pelo Programa Brasileiro GHG Protocol, criado em 2008, e é a exigida dos tribunais pela Resolução CNJ 594/2024.

Pontos-chave

  • Cobre os sete gases do Protocolo de Quioto: CO₂, CH₄, N₂O, HFCs, PFCs, SF₆ e NF₃.
  • Escopo 1: emissões diretas; escopo 2: energia adquirida; escopo 3: demais emissões indiretas, em 15 categorias.
  • Os limites organizacionais seguem uma de três abordagens: participação societária, controle financeiro ou controle operacional.
  • No Brasil, os participantes do programa publicam inventários no Registro Público de Emissões e recebem selos Bronze, Prata ou Ouro.

Gases

Os sete gases do inventário

Cada gás é convertido em CO₂ equivalente pelo seu potencial de aquecimento global (GWP), com valores publicados pelo IPCC.

  • CO₂dióxido de carbono
  • CH₄metano
  • N₂Oóxido nitroso
  • HFCshidrofluorcarbonetos
  • PFCsperfluorcarbonetos
  • SF₆hexafluoreto de enxofre
  • NF₃trifluoreto de nitrogênio

O relatório do inventário informa a edição do IPCC que fundamenta os valores de GWP adotados.

Escopos

Escopos 1, 2 e 3: onde cada emissão entra

O escopo depende de quem controla a fonte e de onde a emissão ocorre na cadeia de valor.

Escopo 3 · a montante

  • Bens e serviços comprados
  • Bens de capital
  • Transporte e distribuição
  • Resíduos das operações
  • Viagens a negócios
  • Deslocamento de colaboradores

A organização

Escopo 1Emissões diretas: combustão em fontes próprias, frota, processos e fugas de gases refrigerantes.
Escopo 2Emissões da eletricidade, do calor, do vapor e da refrigeração adquiridos.

Escopo 3 · a jusante

  • Transporte e distribuição
  • Processamento dos produtos vendidos
  • Uso dos produtos vendidos
  • Fim de vida dos produtos
  • Franquias
  • Investimentos

Para o escopo 2, a orientação do GHG Protocol prevê o relato por duas abordagens: por localização, com o fator médio da rede elétrica, e baseada em mercado, com os instrumentos contratuais de compra de energia, quando existirem.

Cadeia de valor

As 15 categorias do escopo 3

O padrão de cadeia de valor do GHG Protocol, publicado em 2011, divide o escopo 3 em oito categorias a montante e sete a jusante.

NºCategoriaPosição
1Bens e serviços compradosA montante
2Bens de capitalA montante
3Atividades relacionadas a combustíveis e energia não incluídas nos escopos 1 e 2A montante
4Transporte e distribuição a montanteA montante
5Resíduos gerados nas operaçõesA montante
6Viagens a negóciosA montante
7Deslocamento de colaboradoresA montante
8Bens arrendados a montanteA montante
9Transporte e distribuição a jusanteA jusante
10Processamento de produtos vendidosA jusante
11Uso de produtos vendidosA jusante
12Tratamento de fim de vida dos produtos vendidosA jusante
13Bens arrendados a jusanteA jusante
14FranquiasA jusante
15InvestimentosA jusante

Nem toda categoria se aplica a toda organização. O inventário registra quais categorias foram contabilizadas e por quê.

Limites

Limites organizacionais e operacionais

Os limites organizacionais dizem quais operações entram no inventário; os operacionais, quais fontes de cada escopo são contabilizadas.

Participação societária

Emissões de cada operação contabilizadas na proporção da participação no capital.

Controle financeiro

100% das emissões das operações sobre as quais a organização detém controle financeiro.

Controle operacional

100% das emissões das operações em que a organização tem autoridade para introduzir e implementar políticas operacionais.

O ano-base é o período de referência contra o qual se acompanham as emissões nos anos seguintes. A abordagem escolhida e o ano-base são registrados e justificados no relatório.

No Brasil

Programa Brasileiro GHG Protocol

Criado em 2008, o programa adapta o GHG Protocol ao contexto brasileiro. Foi desenvolvido pelo FGVces e pelo WRI, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o CEBDS e o WBCSD.

Registro Público de Emissões

Plataforma em que as organizações participantes divulgam seus inventários corporativos de emissões.

Ferramenta de cálculo

O programa disponibiliza aos participantes uma ferramenta de cálculo de emissões de GEE.

SeloCritério
BronzePublicação de inventário de GEE parcial
PrataPublicação de inventário de GEE completo
OuroPublicação de inventário completo, verificado por organismo de verificação acreditado pelo Inmetro

Critérios do ciclo 2024. A verificação do inventário é opcional para os participantes e é condição para o selo Ouro.

Normas

GHG Protocol e ISO 14064

As referências são complementares: o GHG Protocol orienta a contabilização; a série ISO 14064 fixa requisitos de quantificação, relato e verificação.

ReferênciaAplicação
GHG Protocol — Corporate StandardContabilização e relato de emissões corporativas, por escopos
GHG Protocol — Scope 2 GuidanceEnergia adquirida, pelas abordagens de localização e de mercado
GHG Protocol — Scope 3 StandardEmissões da cadeia de valor, em 15 categorias
ISO 14064-1:2018Quantificação e relato de emissões e remoções no nível da organização
ISO 14064-2:2019Quantificação, monitoramento e relato de reduções e remoções no nível de projeto
ISO 14064-3:2019Validação e verificação de declarações de GEE

Em 2025, o GHG Protocol e a ISO firmaram parceria para desenvolver normas conjuntas. O relatório do inventário registra a versão de cada referência aplicada.

Dúvidas comuns

Perguntas frequentes sobre o GHG Protocol

O que é o GHG Protocol?

É o padrão internacional de contabilização e relato de emissões de gases de efeito estufa desenvolvido pelo World Resources Institute (WRI) e pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). Organiza as emissões em escopos 1, 2 e 3 e cobre os sete gases do Protocolo de Quioto.

Quem criou o GHG Protocol?

O WRI e o WBCSD. A iniciativa começou em 1998, e a primeira edição do padrão corporativo foi publicada em 2001.

Qual a diferença entre escopo 1, 2 e 3?

Escopo 1 reúne as emissões diretas de fontes da própria organização; escopo 2, as emissões indiretas da energia adquirida; escopo 3, as demais emissões indiretas da cadeia de valor, a montante e a jusante.

O escopo 3 é obrigatório?

No padrão corporativo do GHG Protocol, o relato do escopo 3 é opcional; o padrão de cadeia de valor orienta quem decide contabilizá-lo. Exigências específicas podem torná-lo obrigatório: a Resolução CNJ 594/2024 obriga os tribunais a incluir os deslocamentos aéreos a serviço.

O que é o Programa Brasileiro GHG Protocol?

É o programa que adapta o GHG Protocol ao contexto brasileiro, criado em 2008 e desenvolvido pelo FGVces e pelo WRI, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o CEBDS e o WBCSD. Os participantes publicam seus inventários no Registro Público de Emissões.

O que são os selos Bronze, Prata e Ouro?

São os selos de qualificação do Programa Brasileiro GHG Protocol: Bronze para inventário parcial, Prata para inventário completo e Ouro para inventário completo verificado por organismo acreditado pelo Inmetro.

GHG Protocol e ISO 14064 são a mesma coisa?

Não. São referências complementares: o GHG Protocol orienta a contabilização por escopos; a série ISO 14064 fixa requisitos de quantificação e relato (parte 1), de projetos (parte 2) e de validação e verificação (parte 3).

Qual metodologia os tribunais devem usar?

A do Programa Brasileiro GHG Protocol, conforme o art. 4º da Resolução CNJ 594/2024.

Fontes

Fontes consultadas

Documentos oficiais que fundamentam esta página.

  1. GHG Protocol — Scope 2 GuidanceEnergia adquirida: abordagens de localização e de mercado
  2. Registro Público de EmissõesPlataforma de divulgação dos inventários dos participantes
  3. ISO 14064-1:2018Organizações: quantificação e relato
  4. ISO 14064-3:2019Validação e verificação de declarações de GEE
  5. Resolução CNJ nº 594, de 8 de novembro de 2024Metodologia do Programa Brasileiro GHG Protocol para os tribunais (art. 4º)

Quer aplicar o GHG Protocol na sua organização?

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